Declarações de amor
mas aquelas que encontramos nos lugares mais inesperados, em meio à tragédia e a destinos cruéis.
Acredito que meu traço mais tóxico seja ler tragédias e, ainda assim, sempre esperar encontrar nelas o amor. Falo daquela vontade insaciável de desafiar o destino, de provar que o amor sempre vence. Não sei explicar—talvez sejam anos de expectativas criadas, muitos romances lidos e um olhar ingênuo sobre o mundo.
Também não sei dizer se isso vem da minha teoria de que os maiores romances se encontram nas histórias mais tristes. Afinal, não seria essa a prova suprema do amor—amar alguém mesmo sabendo que sua história está fadada a um destino cruel?
Mas o que posso fazer, se meu coração de manteiga não resiste a uma grande declaração de amor? Daquelas que nos roubam o fôlego, marejam os olhos e enchem o peito de esperança. E é por isso que compartilho aqui algumas das minhas favoritas.
a canção de aquiles
“Eu te reconheceria na mais completa escuridão. Se você fosse mudo e eu surdo. Eu te reconheceria em outras vidas, em outros tempos, em outros corpos. E eu te amaria em cada uma delas. Até que a última estrela queimasse em esquecimento.”
Se eu dissesse que este livro não levou consigo um pedaço da minha alma, estaria mentindo. E, ironicamente, ainda assim ele permanece meu favorito de todos os tempos. A escrita de Madeline Miller é um encanto cruel—poética na precisão de suas palavras, implacável na forma como atinge o coração do leitor. Esta história não oferece piedade; desde o primeiro instante, você sabe qual caminho ela seguirá, mas, teimosamente, continua lendo, ansiando por um desfecho diferente. Porque, no fim, não há nada mais humano do que nutrir esperança em um final feliz.
Em A Canção de Aquiles, acompanhamos a trajetória de Pátroclo, um príncipe exilado, e de Aquiles, um jovem destinado a uma profecia grandiosa. O que começa como amizade se transforma em um laço tão profundo que desafia deuses e reis. É uma história sobre coragem, um destino cruel e um amor devastador.
noites brancas
“Sua mão está fria, a minha queima como fogo. Como você é cega, Nastenka!”
Um livro curto, mas de um poder devastador. Já li muitos livros—curtos, longos—mas foram essas 110 páginas que, acredito, irão me assombrar por toda a vida. O escritor russo Fiódor Dostoiévski, em poucas palavras, nos entrega um amor avassalador, capaz de fazer questionar até mesmo o que nunca imaginamos. Com uma escrita sincera, ele expõe, sem rodeios, os perigos de viver em um mundo feito de ilusões e sonhos. E, ainda assim, mesmo alertados, nos vemos presos nesse universo, torcendo por um amor que, desde o início, estava fadado ao fracasso—e, contra toda razão, seguimos esperando um final feliz.
Noites Brancas narra a história de um protagonista sem nome—que jamais se apresenta—e de Nastenka, cujo nome ecoa 138 vezes ao longo da obra. Um encontro ao acaso entrelaça seus destinos, e nós, leitores, nos vemos imersos em uma história sobre solidão, desejo e a dor de um amor não correspondido.
Para todos os românticos que, apesar de tudo, ainda esperam encontrar o amor nas tragédias que lemos: qual é a sua declaração de amor favorita?
Muito obrigada por ler até aqui!



Tenho Noites Brancas há um tempão, parado na estante pela preguiça que tenho de lê-lo (confesso, comprei só por causa da capa maravilhosa da Principis).
Mas depois do seu post estou bem animada para entrar na história e começar o quanto antes, hehe.
Aquela declaração que vai além do orgulho e que muda todo o preconceito de toda uma família e diz "I would have to tell you, you have bewitched me, body and Soul, and I love you...". Um pedido de casamento impulsivo e bem pensado a beira da cama. Ou até mesmo aquele que quebra a distância mínima de 5 passos para sentir, mesmo que por pouco tempo, qual é a importância do toque de uma pessoa que ama. Mas afinal, os apaixonados são ridículos por todo o sofrimento que passam pelo amor. Porém, Fernando Pessoa bem disse, que "Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor, é que são ridículas...".